Aquele barulhão estranho nos fez ver como que uma faixa no céu, deixando
atrás de si, uma nuvem de fumaça escura de considerável extensão que chegou a
encobrir o céu ensolarado. Imediatamente, fui chamado pela telefonista de
Encantado, D. Geni Poletto, me comunicava pela linha intermunicipal, o estranho
acontecimento.
Para a população de Putinga, era o apocalipse. Procurei serenar os ânimos e
tomar as devidas providências para esclarecer os fatos. Com o sub-prefeito
daquele povoado, Sr.Hermínio Cé, conseguimos coletar vários fragmentos, chegando
, as amostras maiores ao peso de 50 Kg, aproximadanmente. Vários exemplares
foram remetidos à Porto Alegre para análises, e o material foi exposto na Praça
da Alfândega. Os resultados dos exames encontran-se arquivados na Prefeitura
de Encantado. Amostras foram catalogadas nos museus do país.
Em 1965, numa viagem turística à então capital Federal, Rio de Janeiro,
visitando, com minha filha, o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, lá
encontramos, ao lado do meteorito de Putinga, cuja identificação fazia
referência ao meu nome como prefeito de Encantado, em 1937.
Posso dizer, com satisfação, que Putinga contribuiu para confirmar que nem todo meteorito,
ao entrar na atmosfera, se reduz a pó. Aquele provocou um verdadeiro pânico porque, por ser mais
resistente, somente esfacelou-se, sendo então motivo de estudo. Contudo, tendo caído em zona rural,
não causou dano algum, tornando assim conhecida, em todo o país, a cidade de Putinga."
Depoimento escrito por Zeferino Demétrio Costi, de Passo Fundo.